terça-feira, 30 de outubro de 2007
2.3.2. Matriz principal da New Age
2.3. Princípios fundamentais do pensamento da Nova Era
2.3.2. A matriz principal do pensamento da Nova Era
A matriz essencial do pensamento da Nova Era deve ser buscada na tradição esotérico-teosófica que gozou de grande aceitação nos círculos intelectuais europeus dos séculos XVIII e XIX. Em particular, vigorou na maçonaria, no espiritismo, no ocultismo e na teosofia, que compartilhavam uma espécie de cultura esotérica. Nesta cosmovisão, o universo visível e o invisível estão vinculados por uma série de correspondências, analogias e influências entre o microcosmos e o macrocosmos, entre os metais e os planetas, entre os planetas e as diversas partes do corpo humano, entre o cosmos visível e os âmbitos invisíveis da realidade. A natureza é um ser vivo, atravessado por uma rede de simpatias e antipatias, animado por uma luz e um fogo secreto que os seres humanos procuram controlar. As pessoas podem conectar-se com os mundos superior ou inferior mediante sua imaginação (órgão da alma ou espírito) ou então recorrendo a mediadores (anjos, espíritos, demônios) ou rituais.As pessoas podem ser iniciadas nos mistérios do cosmos, Deus, ou o eu, por meio de um itinerário espiritual de transformação. A meta última é a gnose, a forma superior de conhecimento, equivalente a salvação. Implica numa busca da mais antiga e elevada tradição da filosofia (o que se chama, de modo inapropriado, philosophia perennis) e da religião (teologia primordial), doutrina secreta (esotérica) que é a chave de todas as tradições “exotéricas” acessíveis a todos. Os ensinamentos esotéricos se transmitem de mestre para discípulo num programa gradual de iniciação.Alguns vêem o esoterismo do século XIX como algo totalmente secularizado. A Alquimia, a magia, a astrologia e outros elementos do esoterismo tradicional se tinham integrado completamente com aspectos da cultura moderna, incluindo a busca das leis causais, o evolucionismo, a psicologia e o estudo das religiões. Alcançou sua forma mais clara nas idéias de Helena Blavatsky, uma médium russa que, junto com Henry Olcott, fundou a Theosophical Society em Nova York em 1875. Esta sociedade tinha por objetivo fundir elementos das tradições orientais e ocidentais em uma forma de espiritismo evolucionista. Tinha três objetivos principais:1. “Formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo ou cor”.2. “Promover o estudo comparativo das religiões, a filosofia e a ciência”.3. “Investigar as leis desconhecidas da Natureza e os poderes latentes do ser humano”.“O significado desses objetivos... deveria estar claro. O primeiro objetivo nega implicitamente o “fanatismo irracional” e o “sectarismo” do cristianismo tradicional tal como o concebem os espiritistas e os teósofos... O que não é imediatamente evidente nestes objetivos é que para os teósofos a “ciência” significava as ciências ocultas, e a filosofia, a occulta philosophia. Para eles, as leis da natureza eram de índole oculta ou psíquica e esperavam que a religião comparativa desvelasse uma “tradição primordial” modelada, em último termo, a partir de uma philosofia perennis hermética”.Um componente destacado dos escritos de Madame Blavatsky era a emancipação da mulher, o qual implicava um ataque contra o Deus “masculino” do judaísmo, do cristianismo e do Islã. Convidava a voltar à deusa mãe do hinduísmo e à prática das virtudes femininas. Estas idéias continuaram sob a orientação de Annie Besant, que se achava na vanguarda do movimento feminista. Na atualidade, a Wicca (cf. o termo no glossário do parágrafo n. 7) e a “espiritualidade das mulheres” continuam esta luta contra o cristianismo “patriarcal”.Em sua obra The Aquarian Conspiracy, “A conspiração do Aquário”, Marilyn Ferguson dedicou um capítulo aos precursores da Era de Aquário, aqueles que haviam tecido uma visão transformadora baseada na expansão da consciência e na experiência da auto-transcendência. Dois dos mencionados são o psicólogo americano William James e o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. James definiu a religião como experiência, não como dogma, e ensinou que os seres humanos podem mudar suas atitudes mentais a fim de converter-se em arquitetos de seu próprio destino. Jung destacou o caráter transcendente da consciência e introduziu a idéia do inconsciente coletivo, uma espécie de depósito de símbolos e recordações partilhadas com pessoas de diversas épocas e culturas diferentes. Segundo Wouter Hanegraaff, ambas personagens contribuíram para a “sacralização da psicologia”, que se converteu em um elemento fundamental do pensamento e da prática da Nova Era. De fato, Jung “não só psicologizou o esoterismo, mas também sacralizou a psicologia, enchendo-a dos conteúdos da especulação esotérica. O resultado foi um corpo de teorias que permite falar de Deus quando na realidade se quer falar da própria psique, e falar da própria psique quando na realidade se quer falar do divino. Se a psique é “mente”, e Deus também é “mente”, então falar de uma coisa significa falar da outra”. À acusação de ter “psicologizado” o cristianismo responde que “a psicologia é o mito moderno e só podemos entender a fé nestes termos”. Certamente, a psicologia de Jung lança luz sobre muitos aspectos da fé cristã, especialmente sobre a necessidade de enfrentar a realidade do mal. Porém suas convicções religiosas são tão diferentes ao longo das diversas etapas de sua vida, que a imagem de Deus que se depreende é sumamente confusa. Um elemento central de seu pensamento é o culto ao sol, onde Deus é a energia vital (libido) do interior da pessoa. Segundo afirmou ele mesmo “esta comparação não é um mero jogo de palavras”. Este é “o Deus interior” ao que se refere Jung, a divindade essencial que ele acreditava existir em todo o ser humano. O caminho para o universo interior passa através do inconsciente e a correspondência do mundo interior com o exterior reside no inconsciente coletivo.A tendência a intercambiar a psicologia e a espiritualidade foi retomada pelo Movimento do Potencial Humano quando este se desenvolveu no final dos anos sessenta no Instituto Esalen da Califórnia. A psicologia transpessoal, fortemente influída pelas religiões orientais e por Jung, oferece um caminho contemplativo onde a ciência se encontra com a mística. A ênfase que se coloca na corporeidade, a busca de métodos para expandir a consciência e o cultivo dos mitos do inconsciente coletivo eram todos incentivos para buscar o “Deus interior” dentro de si mesmo. Para realizar o próprio potencial seria necessário ir além do ego individual a fim de converter-se no deus que cada um é no mais profundo de si mesmo. Isto se podia realizar escolhendo a terapia adequada: a meditação, as experiências parapsicológicas, o uso de drogas alucinógenas. Todos estes eram os caminhos para chegar a “experiências culminantes”, experiências “místicas” de fusão com Deus e com o cosmos.O símbolo de Aquário, tirado da mitologia astrológica, chegou a converter-se na expressão do desejo de um mundo radicalmente novo. Dois centros que constituíam o centro propulsor inicial da Nova Era (e que continuam sendo-o até certo ponto) eram a Comunidade Jardim de Findhorn, no Nordeste da Escócia, e o Centro para o Desenvolvimento do Potencial Humano de Esalen, em Big Sur, Califórnia, nos Estados Unidos. No entanto, o que mais alimenta a difusão da Nova Era é o desenvolvimento de uma progressiva consciência global e a percepção crescente de uma crise ecológica iminente.
2.3.1. New Age e Tempos de crise
2.3. Princípios fundamentais do pensamento da Nova Era
2.3.1. Uma resposta global em tempos de crise
“Tanto a tradição cristã como a fé leiga no progresso ilimitado da ciência tiveram que enfrentar uma grave ruptura manifestada pela primeira vez nas revoltas estudantis de 1968”. A sabedoria das velhas gerações de repente ficou sem significado e sem respeito, enquanto se desvanecia a onipotência da ciência, de maneira que a Igreja agora “tem que enfrentar uma grave crise na transmissão de sua fé às gerações jovens”. A perda generalizada de confiança nestes antigos pilares da consciência e da coesão social foi acompanhada por um retorno inesperado da religiosidade cósmica, de rituais e crenças que muitos pensavam tinham sido suplantados pelo cristianismo. Só que esta perene corrente esotérica subterrânea na realidade nunca se tinha extinguido. Em compensação, parecia novo no contexto ocidental o pico da popularidade da religião asiática, sob a influência do movimento teosófico do fim do século XIX que “reflete a crescente consciência de uma espiritualidade global que incorpora todas as tradições religiosas existentes”.
A eterna questão filosófica da unidade e da multiplicidade tem sua forma moderna e contemporânea na tentação não somente de superar uma divisão indevida, mas inclusive também a diferença e a distinção reais. Suas expressões mais comuns é o holismo, ingrediente essencial da Nova Era e um dos principais sinais dos tempos no último quarto do século XX. Investiram-se grandes energias no esforço para superar a divisão em compartimentos estanques característica da ideologia mecanicista, porém isto provocou a submissão a uma rede global que adquire uma autoridade quase transcendental. Suas implicações mais óbvias são o processo de transformação consciente e o desenvolvimento da ecologia. A nova visão, meta da transformação consciente, demorou a ser formulada e sua aplicação se ver obstaculizada por formas de pensamento mais antigas, que se consideram entrincheiradas no status quo. Em compensação, teve um enorme êxito a generalização da ecologia como fascinação pela natureza e ressacralização da terra, a Mãe Terra ou Gaia, graças ao zelo missionário característico dos “verdes”. A raça humana como conjunto é o agente executivo da Terra e a harmonia e compreensão que se requerem para o governo responsável que vai sendo compreendida de maneira progressiva como um governo global, com uma estrutura ética global. Considera-se que o calor da Mãe Terra, cuja divindade penetra toda a criação, preenche o vazio entre a criação e o Deus-Pai transcendente do judaísmo e do cristianismo, eliminando a possibilidade de ser julgado por este último.
Nesta visão de um universo fechado, que contém “Deus” e outros seres espirituais junto conosco, se descobre um panteísmo implícito. Este é um ponto fundamental que impregna todo o pensamento e a atuação da Nova Era e que condiciona de antemão qualquer outra avaliação positiva deste ou daquele aspecto de sua espiritualidade. Como cristãos cremos, pelo contrário, que “o ser humano é essencialmente uma criatura e como tal permanece para sempre, de tal forma que nunca será possível uma absorção do eu humano no Eu divino”.
In: Pontifício Conselho Cultural e Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso - Jesus Cristo Portador da Água Viva: Uma reflexão cristã sobre a "Nova Era" http://www.itf.org.br/index.php?pg=conteudo&revistaid=8&fasciculoid=89&sumarioid=1346 = Instituto Teológico Franciscano (publicação parcial on-line, em português, no Brasil). O original é inglês. Edição portuguesa total, impressa: Paulinas, Março de 2003.
2.2. Que pretende oferecer a New Age?
2.2. O que pretende oferecer a Nova Era?
2.2.1. Encantamento: deve haver um anjo
Um dos elementos mais comuns da espiritualidade da Nova Era é a fascinação pelas manifestações extraordinárias e em particular pelos seres paranormais. As pessoas reconhecidas como médiuns asseguram que sua personalidade é possuída por outra entidade durante o transe, um fenômeno da Nova Era conhecido como “channeling” (canalização), no qual o médium pode perder o controle de seu corpo e de suas faculdades. Algumas pessoas que foram testemunhas destes acontecimentos não duvidariam em admitir que as manifestações são efetivamente espirituais, porém não procedem de Deus, apesar da linguagem de amor e luz que se costuma usar quase sempre. Provavelmente seja mais correto referir-se a isto como a uma forma contemporânea de espiritismo, mais que a uma espiritualidade em sentido estrito. Outros amigos e conselheiros do mundo do espírito são os anjos (que se converteram em centro de um novo negócio de livros e imagens). Quando na Nova Era se fala de anjos, se faz de maneira pouco sistemática, pois as distinções neste âmbito nem sempre se consideram úteis, sobretudo se são demasiado precisas, já que “há muitos níveis de guias, entidades, energias e seres em cada oitava do universo... Estão ali para que os escolhas e elejas segundo os teus próprios mecanismos de atração–repulsão” [22]. Estes seres espirituais às vezes são invocados de maneira “não religiosa” como uma ajuda para o relaxamento, com vista a melhorar a tomada de decisões e o controle da própria vida pessoal e profissional. Outra experiência da Nova Era, que asseguram possuir alguns que se auto-definem como “místicos”, consiste na fusão com alguns espíritos que ensinam através de pessoas concretas. Alguns espíritos da natureza são descritos como energias poderosas que existem no mundo natural e também nos “níveis interiores”: Isto é, aqueles aos quais se acede mediante o uso de rituais, drogas e outras técnicas para alcançar estados de consciência alterados. Está claro que, ao menos em teoria, a Nova Era muitas vezes não reconhece nenhuma autoridade espiritual além da experiência pessoal interior.
2.2.2. Harmonia e compreensão: boas vibrações
Fenómenos tão diversos como o Jardim de Findhorn e Feng Shui [23]representam uma diversidade de estilos que ilustram a importância de estar em sintonia com a natureza e o cosmos. Na Nova Era não existe distinção entre o bem e o mal. As ações humanas são fruto da iluminação ou da ignorância. Daí que não podemos condenar ninguém, e que ninguém tem necessidade de perdão. Crer na existência do mal só pode criar negatividade e temor. A resposta à negatividade é o amor. Porém não do tipo que tem que traduzir-se em ações, é mais uma questão de atitudes da mente. O amor é energia, uma vibração de alta freqüência; o segredo da felicidade e da saúde consiste em sintonizar com a grande cadeia do ser, de encontrar o próprio lugar nela. Os mestres e as terapias da Nova Era afirmam oferecer a chave para encontrar as correspondências entre todos os elementos do universo, de modo que a pessoa possa modular a tonalidade de sua vida e estar em harmonia absoluta com os demais e com tudo que a rodeia, se bem que o pano de fundo teórico varia de um para o outro [24].
2.2.3. Saúde: uma vida dourada
A medicina formal (alopática) tende na atualidade a limitar-se a curar doenças isoladas, concretas, e não alcança uma visão de conjunto da saúde da pessoa: isto tem provocado freqüentemente uma compreensível insatisfação. A popularidade das terapias alternativas tem aumentado enormemente porque asseguram abranger a pessoa em sua totalidade e se dedicam a remedir mais que a curar. Como se sabe, a saúde holística se centra no importante papel que desempenha a mente na cura física. Diz-se que a conexão entre os aspectos espirituais e físicos da pessoa se encontra no sistema imunológico ou no sistema dos chakras hindus. Na perspectiva da Nova Era, a enfermidade e o sofrimento procedem de uma atuação contra a natureza. Quando se está em sintonia com a natureza, pode-se esperar uma vida mais saudável e inclusive uma prosperidade material. Segundo alguns curandeiros da Nova Era, na realidade não teríamos por que morrer. O desenvolvimento do nosso potencial humano nos porá em contato com nossa divindade interior e com aquelas partes de nosso eu alienadas ou suprimidas. Isto se revela sobretudo nos Estados de Consciência Alterados (Alterated States of Consciousness, ASCs), induzidos ou pelas drogas ou por diversas técnicas de expansão da mente, particularmente no contexto da “psicologia transpessoal”. Costuma-se considerar o xamã como o especialista dos estados de consciência alterados, como aquele que é capaz de ser um medianeiro entre os reinos transpessoais dos deuses e dos espíritos e o mundo dos humanos.
Existe uma notável variedade de enfoques que promovem a saúde holística, derivados uns das antigas tradições culturais, conectados outros com as teorias psicológicas desenvolvidas em Esalen durante os anos 1960-1970. A publicidade relacionada com a Nova Era cobre um amplo espectro de práticas, tais como a acupuntura, o biofeedback, a quiroterapia, a quinesiologia, a homeopatia, a iridologia, massagem e vários tipos de “técnicas corporais” (tais como ergonomia, Feldenkreis, reflexologia, rolfing, massagem de polaridade, toque terapêutico, etc.), a meditação e a visualização, as terapias nutricionais, tratamentos psíquicos, vários tipos de medicina à base de plantas, a cura mediante os cristais (cristaloterapia), metais (metaloterapia), música (musicoterapia) ou cores (cromoterapia), as terapias de reencarnação e, por último, os programas dos doze passos e os grupos de auto-ajuda [25]. Afirma-se que a fonte da cura está dentro de nós mesmos, que a podemos alcançar quando estamos em contato com nossa energia interior ou com a energia cósmica.
Enquanto a saúde inclui um prolongamento da vida, a Nova Era oferece uma fórmula oriental em termos ocidentais. Originalmente, a reencarnação fazia parte do pensamento cíclico hindu, baseada no atman ou núcleo divino da personalidade (mais tarde, o conceito de jiva), que se transferia de um corpo para outro corpo em um ciclo de sofrimento (samsara), determinado pela lei do karma, vinculado ao comportamento nas vidas passadas. A esperança se apóia na possibilidade de nascer num estado melhor ou, definitivamente, na libertação da necessidade de tornar a nascer. Diversamente da maioria das tradições budistas, o que vaga de corpo em corpo não é uma alma, mas sim um continuum de consciência. Em ambas tradições, a vida presente está encerrada num processo cósmico potencialmente infinito, sem fim, que inclui até os deuses. No Ocidente, depois de Lessing, a reencarnação foi entendida de maneira muito mais otimista, como um processo de aprendizagem e de realização individual progressiva. O espiritismo, a teosofia, a antroposofia e a Nova Era vêem a reencarnação como uma participação na evolução cósmica. Este enfoque pós-cristão da escatologia se considera como a resposta a questões não resolvidas pela teodicéia e prescinde do conceito de inferno. Quando a alma se separa do corpo, os indivíduos podem voltar o olhar para toda a sua vida até esse instante e quando a alma se une a seu novo corpo se obtém uma visão antecipada da seguinte fase da vida. A pessoa pode aceder a suas vidas anteriores mediante os sonhos e as técnicas de meditação [26].
2.2.4. Totalidade: uma viagem mágica ao mistério
Uma das preocupações centrais do movimento Nova Era é a busca da “totalidade”. Convida a superar todas as formas de “dualismo”, já que essas divisões são um produto doentio de um passado menos iluminado. As divisões que, segundo os promotores da Nova Era, se devem superar, incluem a diferença real entre o Criador e a criação, a distinção real entre o ser humano e a natureza ou entre o espírito e a matéria, todas as quais são consideradas erroneamente como formas de dualismo. Supõe-se que estas tendências dualistas estão baseadas em definitivo nas raízes judeu-cristãs da civilização ocidental, quando na realidade seria mais correto vinculá-las ao gnosticismo, e em particular ao maniqueísmo. A revolução científica e o espírito do racionalismo moderno são considerados culpados especialmente da tendência à fragmentação que considera as unidades orgânicas como mecanismos redutíveis a seus componentes menores, que podem explicar-se depois em função destes últimos, assim como da tendência a reduzir o espírito à matéria de maneira que a realidade espiritual – incluindo a alma – se converte em mero “epifenômeno” contingente de processos essencialmente materiais. Em todas estas áreas, as alternativas da Nova Era recebem o nome de “holísticas”. O holismo impregna todo o movimento Nova Era, desde seu interesse pela saúde holística até a busca da consciência unitiva, e desde a sensibilidade ecológica até a idéia de uma “rede” global.
In: Pontifício Conselho Cultural e Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso - Jesus Cristo Portador da Água Viva: Uma reflexão cristã sobre a "Nova Era" http://www.itf.org.br/index.php?pg=conteudo&revistaid=8&fasciculoid=89&sumarioid=1346 = Instituto Teológico Franciscano (publicação parcial on-line, em português, no Brasil). O original é inglês. Edição portuguesa total, impressa: Paulinas, Março de 2003.
2.1. Que há de novo na New Age?
2.1. Que há de novo na Nova Era?
Para muitos, o termo “Nova Era” se refere a um momento decisivo da história. Segundo os astrólogos, vivemos na Era de Peixes, que foi dominada pelo cristianismo e que será substituída pela nova era de Aquário no começo do terceiro milénio [El término ya aparece en el título de The New Age Magazine, publicado por el Antiguo Rito Masónico Escocés Aceptado en la jurisdicción meridional de los Estados Unidos de América, remontándose a 1900. Cf. M. York,« The New Age Movement in Great Britain », en Syzygy. Journal of Alternative Religion and Culture, 1:2-3 (1992), Stanford CA, p. 156, nota 6. La datación exacta y la naturaleza del cambio a la Nueva Era son interpretadas de maneras distintas según los diferentes autores. Las estimaciones para tal fecha oscilan entre 1967 y 2376]. A Era de aquário adquire uma enorme importância no movimento da Nova Era, em grande parte por causa do influxo da teosofia, do espiritismo e da antroposofia, assim como dos seus antecedentes esotéricos. Os que sublinham a iminente mudança do mundo expressam muitas vezes o desejo desta mudança, não tanto no mundo mesmo quanto em nossa cultura, em nosso modo de relacionar-nos com o mundo. Isto é especialmente manifestado naqueles que acentuam a idéia de um Novo Paradigma de vida. É um enfoque atraente, visto que algumas de suas manifestações, os seres humanos não são espectadores passivos, mas sim desempenham um papel ativo na transformação da cultura e na criação de uma nova consciência espiritual. Em outras manifestações, se atribui um maior poder à progressão inevitável dos ciclos naturais. De qualquer modo, a Era de Aquário é uma visão, não uma teoria. Porém a Nova Era é uma tradição ampla que incorpora muitas idéias sem vinculação explícita com a mudança da Era de Peixes para a Era de Aquário. Entre elas existem visões moderadas, porém muito generalizadas, de um futuro no qual haverá uma espiritualidade planetária junto às religiões individuais, instituições políticas planetárias que complementarão as locais, entidades econômicas globais mais participativas e democráticas, uma maior importância das comunicações e da educação, um enfoque misto da saúde que combinará a medicina profissional e a autocura, uma compreensão do eu mais andrógina, e formas de integrar a ciência, a mística, a tecnologia e a ecologia. Mais uma vez, isto demonstra o profundo desejo de uma existência satisfatória e saudável para a raça humana e para o planeta. Entre as tradições que se juntaram na Nova Era podem contar-se: as antigas práticas do ocultismo egípcio, a cabala, o gnosticismo cristão primitivo, o sufismo, as tradições dos druidas, o cristianismo celta, a alquimia medieval, o hermetismo renascentista, o budismo zen, a yoga, etc. [A finales de 1977, Marilyn Fergusonenvió un cuestionario a 210 « personas comprometidas en la transformación social », a los que también llama « Conspiradores de Acuario ». Es interesante lo que sigue: « Cuando se pedía a los encuestados que dieran el nombre de los individuos cuyas ideas les habían influido, bien a través del contacto personal, bien por medio de sus escritos, los más nombrados, por orden de frecuencia, fueron: Pierre Teilhard de Chardin, C. G. Jung, Abraham Maslow, Carl Rogers, Aldous Huxley, Roberto Assagioli y J. Krishnamurti. También aparecen mencionados frecuentemente: Paul Tillich, Hermann Hesse, Alfred North Whitehead, Martin Buber, Ruth Benedict, Margaret Mead, Gregory Bateson, Tarthang Tulku, Alan Watts, Sri Aurobindo, Swami Muktananda, D. T. Suzuki, Thomas Merton, Willis Harman, Kenneth Boulding, Elise Boulding, Erich Fromm, Marshall McLuhan, Buckminster Fuller, Frederic Spiegelberg, Alfred Korzybski, Heinz von Foerster, John Lilly, Werner Erhard, Oscar Ichazo, Maharishi Mahesh Yoghi, Joseph Chilion Pearce, Karl Pribram, Gardner Murphy, y Albert Einstein »: The Aquarian Conspiracy. Personal and Social Transformation in Our Time, Los Angeles, (Tarcher) 1980, p. 50 (nota 1) y p. 434. (Trad. esp. La conspiración de Acuario. Transformaciones personales y sociales en este fin de siglo, Barcelona [Kairós] 1985)].
Nisto consiste o “novo” da Nova Era. É um “sincretismo de elementos esotéricos e seculares”[W.J. Hanegraaff , New Age Religion and Western Culture. Esotericism in the Mirror of Secular Thought, Leiden-New York-Köln (Brill) 1996, p. 520]. Vincula-se à percepção, amplamente difundida, de que o tempo está maduro para uma mudança fundamental dos indivíduos, da sociedade e do mundo. Há várias expressões da necessidade de mudança:
- da física mecanicista de Newton à física quântica;
- da exaltação da razão da modernidade a uma valorização do sentimento, da emoção e da experiência (descrita muitas vezes como um deslocamento do pensamento racional “do hemisfério esquerdo” ao pensamento intuitivo do “hemisfério direito”);
- do domínio da masculinidade e do patriarcado, a uma celebração da feminilidade nos indivíduos e na sociedade. Neste contexto se usa com freqüência o termo “mudança de paradigma” (paradigm shift). Às vezes, claramente se pressupõe que tal mudança não somente é desejável, porém inevitável. A negação da modernidade, subjacente a este desejo de mudança, não é nova. Ao contrário pode descrever-se como “um restabelecimento ou “revival” moderno das religiões pagãs com uma mistura de influências tanto das religiões orientais como da psicologia, da filosofia, da ciência e da contracultura modernas, desenvolvidas nos anos cinqüenta e sessenta”[Comisión Teológica Irlandesa, A New Age of Spirit? A Catholic Response to the New Age Phenomenon, Dublín 1994, capítulo 3]. A Nova Era não é senão uma testemunha de idéias e valores dominantes na cultura ocidental, apesar de que sua crítica idealista é, paradoxalmente, típica da cultura que critica.
É preciso dizer uma palavra sobre a idéia de mudança de paradigma. Foi popularizada por Thomas Kuhn, historiador americano da ciência, que concebeu o paradigma como “a constelação inteira de crenças, valores, técnicas, etc., compartilhados pelos membros de uma dada comunidade”[Cf. La estructura de las revoluciones científicas, México, FCE, 1995]. Quando se produz um deslocamento de um paradigma a outro, se trata de uma transformação em bloco da perspectiva mais do que um desenvolvimento gradual: na realidade, é uma revolução. Kuhn enfatizou que os paradigmas rivais são incomensuráveis e não podem coexistir. Por isso, afirmar que uma mudança de paradigma no âmbito da religião e da espiritualidade é simplesmente uma maneira nova de formular as crenças tradicionais, constitui um erro. O que acontece na verdade é uma mudança radical de cosmovisão, que invalida não só o conteúdo, mas também a interpretação fundamental da visão anterior. Talvez o exemplo mais claro de tudo isto, pelo que se refere à relação entre a Nova Era e o cristianismo, seja a reelaboração da vida e do significado de Jesus Cristo. É impossível reconciliar estas duas visões [Cf. Alessandro Olivieri Pennesi, Il Cristo del New Age. Indagine critica, Ciudad del Vaticano (Librería Editrice Vaticana) 1999, passim, pero especialmente las pp. 11-34. Véase también la sección 4 más abajo].
Está claro que a ciência e a tecnologia têm sido incapazes de cumprir suas promessas antigas pelo que os seres humanos se têm voltado para o âmbito espiritual em busca de significado e de libertação. Tal como agora a conhecemos, a Nova Era procedia da busca de algo mais humano e mais belo diante da experiência opressora e alienante da vida na sociedade ocidental. Seus primeiros expoentes, dispostos a estender seu olhar na direção desta busca, fizeram dela um enfoque muito eclético. Poderia ser um dos sinais da “volta à religião”, porém afinal não é uma volta às doutrinas e credos cristãos ortodoxos. Os primeiros símbolos deste “movimento” que se introduziram na cultura ocidental foram o conhecido festival de Woodstock, no Estado de Nova Iorque, em 1969, e o musical Hair, que expôs os principais temas da Nova Era em sua canção emblemática “Aquarius” [Merece la pena recordar la letra de esta canción, que se grabó inmediatamente en las mentes de toda una generación, tanto en Norteamérica como en Europa occidental: « When the Moon is in the Seventh House, and Jupiter aligns with Mars, then Peace will guide the Planets, and Love will steer the Stars. This is the dawning of the Age of Aquarius... Harmony and understanding, sympathy and trust abounding; No more falsehoods or derision –golden living, dreams of visions, mystic crystal revelation, and the mind's true liberation. Aquarius... » (« Cuando la Luna esté en la Séptima Casa, y Júpiter se alinee con Marte, entonces la Paz guiará a los Planetas, y el Amor conducirá a las Estrellas. Es el amanecer de la Era de Acuario... Abundarán la armonía y la comprensión, la simpatía y la confianza, no habrá más engaños ni más burlas: una vida dorada, sueños de visiones, una revelación mística cristalina, y la auténtica liberación de la mente. Acuario... »)]. Porém isto era tão somente a ponta de um icerbeg cujas verdadeiras dimensões se pode perceber somente numa época relativamente recente. O idealismo dos anos 1960 e 1970 ainda sobrevive em alguns setores. Porém agora já não são os adolescentes que estão principalmente envolvidos. Os vínculos com a ideologia política de esquerda se desvaneceram e as drogas psicodélicas já não têm a importância daquele tempo. Ocorreram tantas coisas desde aquele tempo que tudo isto já não é revolucionário. As tendências “espirituais e “místicas” que antes se limitavam à contracultura, hoje em dia fazem parte arraigada da cultura dominante e afetam facetas tão distintas da vida como a medicina, a ciência, a arte e a religião. A cultura ocidental está agora imbuída de uma consciência política e ecológica mais generalizada e todo este deslocamento cultural exerceu um enorme impacto nos estilos de vida das pessoas. Alguns sugeriram que o “movimento” Nova Era é precisamente essa grande mudança para o que se considera “um género de vida notavelmente melhor” [Paul Heelas, The New Age Movement. The Celebration of the Self and the Sacralization of Modernity. Oxford (Blackwell) 1966, p. 1 y s. La publicación de agosto de 1978 de la Coalición Cristiana de Berkeley lo expresa de este modo: « Hace exactamente diez años la espiritualidad “funky” a base de drogas de los hippies y la mística de los yogis occidentales se limitaban a la contracultura. Hoy día, ambas se han abierto camino en la corriente fundamental de nuestra mentalidad cultural. La ciencia, las profesiones de la salud, las artes, por no mencionar la psicología y la religión, están todas comprometidas en una reconstrucción fundamental de sus premisas básicas ». Citado en Marilyn Ferguson, The Aquarian Conspiracy. Personal and Social Transformation in Our Time, Los Angeles (Tarchner) 1980, p. 370 y ss.].
In: Pontifício Conselho Cultural e Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso - Jesus Cristo Portador da Água Viva: Uma reflexão cristã sobre a "Nova Era" http://www.itf.org.br/index.php?pg=conteudo&revistaid=8&fasciculoid=89&sumarioid=1346 = Instituto Teológico Franciscano (publicação parcial on-line, em português, no Brasil). O original é inglês. Edição portuguesa total, impressa: Paulinas, Março de 2003.
2. Nova Era (New Age) e Cristianismo
.- identificar os elementos do desenvolvimento da tradição da Nova Era;
.- apontar os elementos incompatíveis com a revelação cristã.
Esta é uma resposta pastoral a um desafio actual. Não pretende proporcionar uma lista exaustiva dos fenómenos da Nova Era, já que isso exigiria um volumoso tratado, além do que esta informação está disponível em outros lugares. É essencial tentar compreender a Nova Era correctamente para avaliá-la com imparcialidade e evitar criar uma caricatura da mesma. Seria insensato, além de falso, dizer que tudo o que é relacionado com este movimento é bom, ou que é mau tudo aquilo que se refere a ele. Não obstante dada a visão subjacente à religiosidade da Nova Era, em termos gerais é difícil reconciliá-la com a doutrina e a espiritualidade cristãs.
A Nova Era não é um movimento no sentido em que normalmente se emprega o termo “Novo Movimento Religioso”, nem é aquilo que normalmente se dá a entender com os termos “culto” ou “seita”. É muito mais difuso e informal, já que atravessa as diversas culturas, em fenómenos tão variados como a música, o cinema, seminários, oficinas, retiros, terapias, e em outros muitos acontecimentos e actividades, embora alguns grupos religiosos ou para-religiosos tenham incorporado conscientemente alguns elementos da Nova Era, e inclusive alguns tenham sugerido que esta corrente foi fonte de inspiração para várias seitas religiosas e para-religiosas [Cf. Michel Lacroix, L'Ideologia della New Age, Milano (il Saggiatore) 1998, p. 86. La palabra « secta » se usa aquí no en sentido peyorativo, sino más bien para denotar un fenómeno sociológico]. No entanto, a Nova Era não é um movimento individual uniforme, mas antes uma rede ampla de seguidores cuja característica consiste em pensar globalmente e actuar localmente. Aqueles que fazem parte dessa rede não se conhecem necessariamente uns aos outros e raramente se reúnem, se é que chegam a fazê-lo. Com o fim de evitar a confusão que pode surgir ao usar o termo “movimento”, alguns se referem a Nova Era como um “ambiente” (milieu) [Cf. Wouter J. Hanegraaff, New Age Religion and Western Culture. Esotericism in the Mirror of Secular Thought, Leiden-New York-Köln (Brill) 1996, p. 377 et passim] ou um “culto de audiência” (audience cult) [Cf. Rodney Starkand William Sims Brainbridge, The Future of Religion. Secularisation, Revival and Cult Formation, Berkeley (University of California Press) 1985] . No entanto, também se tem destacado que “é uma corrente de pensamento muito coerente”[Cf. M. Lacroix, op. cit., p. 8], um desafio deliberado da cultura moderna. É uma estrutura sincretista que incorpora muitos elementos diversos e que permite compartilhar interesses ou vínculos em graus distintos e com níveis de compromissos muito variados. Muitas tendências, práticas e atitudes mais ou menos vinculadas à Nova Era, na realidade são parte de uma reação mais ampla, facilmente identificável, contra a cultura dominante, de modo que o termo “movimento” não está completamente fora de lugar. Pode aplicar-se à Nova Era no mesmo sentido em que se aplica a outros movimentos sociais de vasto alcance, tais como o movimento pelos direitos civis ou o movimento pela paz. Assim como eles, abrange um impressionante conjunto de pessoas vinculadas aos objectivos fundamentais do movimento, porém sumamente diferentes pela maneira em que se vinculam a ele e pelo modo de entender algumas questões concretas.
A expressão “religião da Nova Era” é mais controvertida, pelo que convém evitá-la, apesar de que a Nova Era é com freqüência uma resposta a perguntas e necessidades religiosas, que exerce sua atração sobre pessoas que tratam de descobrir ou redescobrir uma dimensão religiosa em sua vida. Evitar o termo “religião da Nova Era” não significa de modo algum pôr em questão o caráter genuíno da busca de significado e de sentido da vida por parte dessas pessoas. Respeita o facto de que muitos daqueles que estão dentro do movimento Nova Era distinguem cuidadosamente entre “religião” e “espiritualidade”. Muitos rejeitaram a religião organizada, porque a seu juízo não conseguia responder a suas necessidades e por isso se dirigiram a outros lugares para encontrar “espiritualidade”. Mais ainda, no coração da Nova Era está a crença de que a época das religiões particulares passou, e por isso referir-se a ele como uma religião seria contradizer sua própria autocompreensão. Não obstante, pode situar-se a Nova Era no contexto mais amplo da religiosidade esotérica, cujo atrativo continua crescendo [O curso suiço « Theologie für Laien » intitulado Faszination Esoterik planteia-o com claridade. Cf. « Kursmappe 1 – New Age und Esoterik », texto acompanhado de diapositivos, p. 9].
Existe um problema implícito no presente texto. Tratando de entender e avaliar algo que é essencialmente uma exaltação da riqueza da experiência humana, inevitavelmente se objectará que jamais poderá fazer justiça a um movimento cultural cuja essência é precisamente romper com o que se consideram os limites restritivos do discurso racional. Na realidade, tem por objetivo convidar os cristãos a levar a sério a Nova Era e, como tal, pede àqueles que o lerem entrarem em um diálogo crítico com aqueles que se aproximam do mesmo mundo a partir de perspectivas muito diferentes.
A eficácia pastoral da Igreja no terceiro milénio depende em grande parte da preparação de comunicadores eficientes da mensagem evangélica. O que segue é uma resposta às dificuldades expressas por muitos que estão em contacto com esse fenómeno tão complexo e escorregadiço conhecido como a Nova Era. É uma tentativa de compreender o que é a Nova Era e de identificar as perguntas às quais esta pretende oferecer respostas e soluções. Já existem excelentes livros e outros materiais que analisam o fenómeno no seu conjunto ou que explicam aspectos particulares com grande detalhe. Nós referiremo-nos a alguns deles no apêndice. Não obstante, nem sempre realizam o necessário discernimento à luz da fé cristã. O propósito do presente texto é ajudar aos católicos a encontrar uma chave para entender os princípios básicos que há por trás do pensamento da Nova Era, de modo que possam avaliar cristãmente os elementos da Nova Era que encontram. Convém recordar que muitas pessoas rejeitam o termo “Nova Era” e sugerem a expressão “espiritualidade alternativa” como mais correcta e menos restritiva. Também é verdade que muitos dos fenómenos mencionados neste documento provavelmente não levam nenhuma etiqueta particular, porém pressupõe-se, para ser breve, que os leitores identificaram o fenómeno ou conjunto de fenómenos que podem estar razoavelmente vinculados com o movimento cultural geral conhecido habitualmente como Nova Era.
In: Pontifício Conselho Cultural e Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso - Jesus Cristo Portador da Água Viva: Uma reflexão cristã sobre a "Nova Era" http://www.itf.org.br/index.php?pg=conteudo&revistaid=8&fasciculoid=89&sumarioid=1346 = Instituto Teológico Franciscano (publicação parcial on-line, em português, no Brasil). O original é inglês. Edição portuguesa total, impressa: Paulinas, Março de 2003.
0. Jesus Cristo e a New Age
Descrição: Um estudo que se ocupa do complexo fenómeno da Nova Era (New Age) que influencia muitos aspectos da cultura contemporânea. Fruto da reflexão comum do grupo de estudo sobre os Novos Movimentos Religiosos, este documento dirige-se antes de mais àqueles que estão empenhados na pastoral, de modo que possam estar em condições de explicar de que maneira o movimento Nova Era é diferente da fé cristã.
Eneagrama
Un discernimiento cristiano adecuado del pensamiento y de la práctica de la Nueva Era no puede dejar de reconocer que, como el gnosticismo de los siglos II y III, ésta representa una especie de compendio de posturas que la Iglesia ha identificado como heterodoxas. Juan Pablo II ha alertado respecto al « renacimiento de las antiguas ideas gnósticas en la forma de la llamada New Age. No debemos engañarnos pensando que ese movimiento pueda llevar a una renovación de la religión. Es solamente un nuevo modo de practicar la gnosis, es decir, esa postura del espíritu que, en nombre de un profundo conocimiento de Dios, acaba por tergiversar Su Palabra sustituyéndola por palabras que son solamente humanas. La gnosis no ha desaparecido nunca del ámbito del cristianismo, sino que ha convivido siempre con él, a veces bajo la forma de corrientes filosóficas, más a menudo con modalidades religiosas o pararreligiosas, con una decidida aunque a veces no declarada divergencia con lo que es esencialmente cristiano » [Juan PabloII, Cruzando el umbral de la esperanza, Barcelona (Plaza & Janés) 1994, pp. 103-104]. Un ejemplo de esto puede verse en el eneagrama, –un instrumento para el análisis caracterial según nueve tipos– que, cuando se utiliza como medio de desarrollo personal, introduce ambigüedad en la doctrina y en la vivencia de la fe cristiana.